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José Sarmento e a lenda das Relíquias de São Vicente

José Sarmento e a “Invenção de Lisboa”

Relembramos José António Salgado Sarmento de Matos

(Lisboa, 8 de Junho de 1946 – Lisboa, 28 de Outubro de 2018), um dos mais interessantes e importantes Olisipógrafos da nossa história. Da sua obra em dois volumes, “A Invenção de Lisboa”, recuperamos o símbolo de Lisboa, o corvo, e um dos seus mitos fundadores, S. Vicente.

Tanto o santo oficial da cidade de Lisboa é conhecido, como a lenda do resgate das suas relíquias, e também não há qualquer dúvida acerca da preferência dos lisboetas pelo santo popular, o Santo António.

Porque terão os Lisboetas preferido então Santo António a São Vicente, o seu padroeiro oficial?

 

Segundo José Sarmento, um dos fatores que contribuiu foi o facto deste ter nascido em Lisboa e também as datas da celebração. Em Junho para Santo António, pelo solstício de Verão e no Inverno para S. Vicente (22 de Fevereiro o nascimento e 22 de Janeiro a morte), uma estação menos apelativa a festejos populares.

Outro fator apontado estava ligado às ordens religiosas a que cada um pertencia sendo a de Fernão de Bulhões (o Santo António) ligado à importante e popular ordem franciscana, enquanto S. Vicente pertencia à mais reservada e erudita ordem regrante.

Quanto ao mito do resgate das relíquias de S. Vicente? É a abordagem do olisipógrafo diferente da habitual?

 

O olisipógrafo defende que o papel de D. Afonso Henriques na imposição de S. Vicente após a conquista da cidade de Lisboa tenha tido uma função apaziguadora e que o resgate das relíquias tenha sido feito antes da conquista pelos moçárabes, que até já tinham um templo e culto dedicados a S. Vicente antes da conquista.

Na sua obra “A Invenção de Lisboa”, dividida entre “As chegadas” e “As vésperas”, Sarmento de Matos aborda o período pós-conquista de Lisboa, explorando o complexo xadrez de influências.

«A minha Lisboa desenhava-se aos poucos como um articulado de pedras engendrado por gente e cimentado por palavras, sobreposição à primeira vista anárquica de expressões, gostos, vontades, sonhos e ambições, moldura irremediável da vivência de quem vem depois e, claro, também do olhar curioso de quem teima perceber a trama complexa da evolução da cidade.»

Outra justificação apontada para esta escolha deveu-se à imposição por parte do novo bispo da cidade, Gilbert of Hastings (inglês e um dos cruzados que participou no duro e sangrento cerco) dois santos venerados pelo Ingleses, S. Crispiano e S. Crispim, como patronos da cidade.

 

Afonso Henriques observa a tácita recusa da população aos santos ditos estrangeiros e decide tomar partido por S. Vicente, uma forma de apaziguamento após os traumas do cerco.

 

Conclui-se, portanto, que poderá não se ter tratado de um resgate da lenda, mas antes de uma efetiva tomada de partido por S. Vicente.

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